28 abril 2010

Supercardiopowerfitnessyogaplus


Quais as diferenças entre isto e uma sessão de musculação ou ginástica aeróbica? Receio que não seja nenhuma. Muitas pessoas -- que não concordarão comigo -- dirão que existem mil diferenças entre o yoga e práticas físicas convencionais e que um dos objetivos das aulas de yoga é estimular no aluno autoconsciência e introspecção suficientes para que ele desenvolva sua própria prática e, a partir daí, colha os benefícios particulares do yoga, aqueles que não serão obtidos com nenhuma outra prática.

Mas não é isso que ocorre. Primeiro, uma prática como a que o vídeo mostra realmente não estimula autoconsciência e introspecção. É um pressuposto óbvio que o praticante deve manter a atenção antes naquilo que o professor diz e mostra e depois em sua prática pessoal. Se ele (ou ela) está num pequeno palco demonstrando algo, é necessário parar e observar.

Segundo, aulas como a do vídeo propõem-se a ser fisicamente completas e isso pode ser na verdade um desestímulo para o aluno buscar desenvolver sua prática pessoal realmente autoconsciente. Sem dúvida a plenitude física, o detalhismo nos alinhamentos e a fluidez nas seqüências são coisas boas. Resta saber aonde se pretende chegar com a prática e o que, afinal, se entende por prática.

Pode-se dar um desconto às pessoas que se envolvem com tais "formas" de yoga se considerarmos o fato de que algo deve ser feito, algo deve ser ensinado e praticado numa aula. Alunos esperam tais coisas, é claro, e é adequado ensinar corretamente, explicitando cada passo da prática, exatamente como faz a professora do vídeo. Nisto não há problema -- desconto dado. O problema é limitar-se a isso.

Qualquer ambição ou desejo podem ser legítimos, até mesmo o desejo de desenvolver músculos e perder barriga praticando asana e vinyasa. Apenas não chame estas coisas de yoga. Ou pelo menos tenha cuidado ao escolher palavras e misturar coisas diametralmente opostas na mesma frase.

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A imagem que ilustra este post é um exemplo extremo do que este post pretende criticar. A versão original da imagem pode ser encontrada aqui, onde o leitor poderá ver outros exemplos interessantes do que tem sido chamado de yoga, sobretudo nos EUA.

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