03 maio 2010

O que realmente é um Satsang?


Existe um ponto onde somos apenas um, ali existe somente a paz e o equilíbrio, porque ali é a morada do Silêncio, do Vazio, onde de certa forma nada existe. Este ponto silencioso não é “ali”, é “aqui”. Não está em nenhum outro lugar do tempo e do espaço a não ser aqui e agora, talvez você ainda não tenha se dado conta porque tem uma idéia de que você é alguma coisa que você não é.
Então venha... esclareça que você não é qualquer coisa que pense ser. Quem é você? Todas as respostas serão questionadas e por conseqüência todo o seu mundo cairá, porque você vive na ilusão e o convite é acordar para o mundo real. Sofremos pela ilusão de pensar em termos de separação, quando todas as coisas são uma só. Você veio e vai voltar para o Vazio, o Nada, onde só o Silêncio permanece. Não há nada impedindo de voltar agora mesmo, ou ver que já está lá, que já é um iluminado. Aqui o Ser é revelado e após isso... não há mais nada a fazer... sua busca termina aqui.

Todos nós vivemos mergulhados numa ilusão da vida que não nos permite ver a realidade assim como ela é. Como, vendo as coisas através de olhos iludidos, pretenderemos despertar deste estado de ilusão? Vivendo no sonho, todas as crenças, sonhos, idéias e, pior ainda, todas as interpretações serão ilusões. E então, como explicar algo racionalmente para quem vai ter uma interpretação errada? Como então podemos ver a realidade do silêncio interior, mas não amanhã e sim aqui e agora?

A única coisa a ser feita é ter a predisposição de desapegar-se de todas as velhas crenças mesmo que pareçam ter sido experiências reais, e então fazer o questionamento de todos os nossos conceitos de forma radical. Causando um verdadeiro ponto de mutação em nossa interpretação das coisas. Sendo assim, o foco principal dos questionamentos feitos é a investigação real, através da meditação, de quem é você. Não para reforçar as idéias comumente aceitas pela sociedade, que não passam de disparate, e muito menos tentar classificar o seu “tipo de personalidade”, porque seria apenas um reforço da ilusão de separação, mas sim para realizar algo que provavelmente entrará em choque com seu ego e tudo o que você já conheceu até hoje, abrindo as portas para a visão da realidade, as portas de um mundo que parecerá novo mas na verdade sempre esteve aqui e agora, um mundo sem separação entre “eu” e “você” onde todas as coisas são uma só.

A idéia de separação entre você e a existência tem feito com que se crie uma “persona” (máscara, em grego), daí a palavra “personalidade”. Esta “personalidade” é somente uma idéia, a qual existe apenas devido à memória, ao passado, sendo reforçada pela mente. Então nós começamos a achar que somos isso e nos identificar com o aquilo que é passageiro e limitado: o mutável e impermanente mundo das aparências. Nós nos identificamos com isso e começamos a achar que somos aquilo que se delicia ou sofre com as experiências passageiras, pela ilusão de ser um “eu” separado da existência.

Acontece que vocês estão identificados com a máscara, achando que ela é quem vocês são, então é necessário martelar tudo aquilo que os mantém identificados com a máscara, e também é necessária uma disposição para abandonar todas as idéias, pré-conceitos, crenças e “ensinamentos”. Se você crê que tudo isso que existe até hoje na sua mente lhe trouxe algo de bom... fique com isso. Esse encontro não é para você. Mas então, porque você ainda não chegou ao fim de sua busca interior? Porque, aqui, esta é a proposta.

Este encontro compartilha a visão de que somos algo além de tudo isso que sorri ou chora. E este é o interesse, pelo que está por detrás das máscaras, algo eterno, que sempre esteve aqui, sempre continuará, e independente do seu fazer, está aqui e agora em seu eterno repouso silencioso.

O silêncio interior não é “interior”, pois se tudo é Um, interior e exterior dissolvem-se e fundem-se numa realidade oniabarcante. Resta ver se existe realmente uma barreira entre quem você é e esta realidade.

Mas para que a descoberta de quem você realmente é não seja apenas uma informação intelectual e sim uma experiência viva, precisamos dissolver o próprio ego no aqui e agora como se você fosse um efervescente, sem nenhuma tensão, em completo relaxamento, porque não é necessário fazer absolutamente nada para ver o que está aqui e agora. E o convite é: renda-se e deixe acontecer.

“Ver o que É”, sem ilusões ou pré concepções de como as coisas deveriam ser, ou seja, entregar-se ante a natureza dos fatos, desarmar a mente e simplesmente Ser, uno com todas as coisas. Estando simplesmente compartilhando desta energia silenciosa, sentindo a Unidade do universo, nós vamos além das barreiras como o “eu” e o “tu”, além dos “ensinamentos” através de palavras.

Se você está disposto a ver o que você é por detrás e além de todas as máscaras e realizar o silêncio, mesmo sabendo que isso significará abandonar todas as suas idéias acerca de si mesmo... então venha, o convite está feito.

"Na Presença daquele que realizou o Ser apenas o silêncio é necessário."

Nenhum comentário: