30 maio 2010

Prática de yoga: ser


Com freqüência é dito que a verdadeira prática de yoga consiste em viver o yoga a todo momento. A idéia de que é necessário reservar um tempo e um espaço específicos para a prática do yoga não condiz com os objetivos desta filosofia prática. Mas o quê exatamente quer dizer viver o yoga a todo momento? Seria, talvez, procurar asanas em cada movimento que fazemos? Seria praticar bandhas constantemente, aproveitando a ocultação do corpo proporcionada pelas roupas? Poderia ser, quem sabe, executar pranayamas, mesmo que sob os vapores de um congestionamento ou sob o ar viciado de um escritório?

Embora seja possível fazer tais coisas -- mesmo que pareça exótico --, viver o yoga a todo momento não exige a execução de técnicas, movimentos ou respirações específicas. Se isto fosse verdade, a prática do yoga seria limitada a determinados tipos de pessoas, aquelas mais flexíveis ou mais fortes ou mais capazes sob este ou aquele aspecto, mas todos dizem -- e é verdade -- que o yoga pode ser praticado por todos. As únicas condições necessárias para praticar o yoga são respirar e possuir uma percepção suficiente para observar o ritmo dessa respiração (nem mesmo o estabelecimento de um ritmo respiratório particular é necessário, basta mesmo que se possa perceber qual é esse ritmo).

Em outras palavras, a única condição realmente necessária para praticar o yoga é estar vivo -- respirar e ter alguma consciência. Portanto, a verdadeira prática de yoga consiste em ser, libertando-se das associações e dissociações (porque tendemos a conjugar o verbo relacionando-o com outros objetos ou adjetivos: "eu sou um professor", "queria ser mais alto", "eu não sou assim" etc.).

Naturalmente não há nada de errado em participar de aulas em escolas de yoga, alongar e reforçar o corpo com asanas, aprender pranayama, shatkarmas, bandhas e mudras -- desde que o praticante tenha sempre em mente que a verdadeira prática consiste em ser. Todas estas técnicas só têm utilidade se apontam nessa direção. Viver o yoga a todo momento é precisamente ser, sem atributos, sem predicados, perceber o que se é, para além das sugestões do corpo, da mente e do mundo ao redor.

Não importa em qual estágio você se encontra dentro de sua prática de yoga. Seja ela de qual tipo for, você sempre será capaz de perguntar "quem sou eu?" -- e de responder apenas "eu sou", sem duvidar de que a resposta está completa.

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