20 junho 2010

Morra


Escrevi sobre o savasana há uns anos em meu blog pessoal. Vale a pena reproduzir um trecho aqui.

"O relaxamento consciente revigora e refresca o corpo e a mente. Mas é muito mais difícil manter a mente quieta do que o corpo. Portanto, essa postura, aparentemente fácil, é das mais difíceis de dominar." -- B. K. S. Iyengar

Savasana é esvair-se de si mesmo, deixar de ser, interromper qualquer atividade do corpo e da mente. Não existe nada mais difícil — e necessário — do que isso.

Há algum tempo faço exercícios pela manhã e concluo o treinamento diário com o savasana. Prestar atenção na tensão muscular com o objetivo de neutralizá-la significa substitui-la pela tensão mental. Não prestar atenção na tensão muscular significa perder-se nela, que é a conseqüência da habitual incapacidade de realizar todos os exercícios com naturalidade e sem esforço. Para um iniciante como eu, não há saída. Savasana não é meditação e não é exercício físico.

A prática tem indicado que um caminho viável é permitir-se perder-se entre uma tensão e outra, entre um corpo rígido e ineficiente e uma mente acostumada a lhe pregar peças. Isto inclui prestar atenção na respiração, que é o elemento que une o corpo e a mente. A tensão gerada pela focalização da respiração é capaz de controlar a mente e o corpo sem tensioná-los ainda mais. Os raros momentos de relaxamento que encontrei em savasana foram conseguidos através da respiração — diante dela, a mente e o corpo são como cavalos selvagens.

Passado algum tempo, percebi mais algumas coisas:

1) Savasana é um asana. Logo, deve ser encarado e praticado como tal e, portanto, deve-se condicioná-lo às três leis que condicionam qualquer asana: lei física (conforto e estabilidade), lei respiratória (consciência, profundidade e ritmo) e lei mental (foco corporal, mentalização e bhava).

2) Como se trata ainda de um asana, estamos falando de bahiranga, uma prática externa. Isto dispensa o praticante de preocupações em torno da ação mental e da "gritaria interior" que savasana pode causar. Alguns alunos já me relataram que a mente se agitava quando o corpo permanecia imóvel. Era uma meia verdade: o que acontecia, na realidade, era que a agitação mental ficava mais nítida sem a agitação física.

Se for possível desde a prática de asanas encontrar estados semelhantes aos de dhyana, ótimo. Senão, simplesmente não se preocupe com isso.

3) Como o próprio nome sugere, não há necessidade de se fazer nada, mas sim de abandonar toda e qualquer ação. Nenhuma ação é necessária ou permitida em savasana. O foco é no abandono de si, na entrega. Savasana, em essência, é "fingir-se de morto".

*

Algumas pessoas confundem savasana e yoganidra. Por enquanto é suficiente lembrar que savasana é a postura e yoganidra é a prática realizada em savasana. A partir do estabelecimento destes termos é mais fácil compreender o que os difere e compreender cada um deles em seus mínimos detalhes. Em breve retorno para falar disso.

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3 comentários:

Adriana disse...

Gostaria que tivesse um templo como o seu na minha cidade, pois aqui não existe um lugar onde posso praticar o Yoga, calma e tranquilamente...
Moro em Teresina - Piauí e adorei o seu blog.
Parabéns.

Christian disse...

Seja bem-vinda, Adriana. E obrigado por seu comentário.
Namaste.

Sem corpo « Yoga em Ilhabela disse...

[...] recomendo também a leitura deste post sobre shavasana. Shavasana (às vezes grafado savasana) é a postura do cadáver. Trata-se de uma condição em que [...]