07 abril 2011

Meditação para iniciantes


Nunca meditou? Gostaria de começar? Siga as instruções.

Primeiramente é necessário definir a técnica. Existem diversas formas de meditar, dentro ou fora do Yoga. No início as técnicas do Yoga têm como objetivo facilitar o equilíbrio e o conforto do corpo e conduzir a mente a um silêncio mais consistente e profundo. Mas, no que diz respeito ao corpo e à mente, elas coincidem em vários pontos:
-- sentar-se de forma confortável, com o corpo relaxado
-- permanecer tão imóvel quanto for possível
-- manter os olhos fechados
-- respirar conscientemente
-- observar os pensamentos e evitar «prendê-los»

Esta é a técnica básica. Vamos a alguns detalhes importantes:

CORPO
-- Sente-se no chão, como se faz numa aula de Yoga. Você pode preferir sentar numa almofada firme (com o quadril mais alto, a lombar poderá ficar mais confortável) ou numa cadeira. Não é bom usar o sofá ou mesmo deitar-se, porque o excesso de conforto leva ao sono e dormir não é o mesmo que meditar (embora os preguiçosos compulsivos possam afirmar isso...).
-- O rosto, o maxilar e o pescoço permanecem descontraídos.
-- Ao sentar, não se preocupe com a posição das pernas, apenas acomode-se do modo mais confortável possível e procure manter a coluna ereta, sem enrijecê-la. Quanto mais alinhada a coluna, mais espaço haverá para a respiração; quanto maior for a respiração, mais facilmente a meditação acontecerá.
-- Evite se mexer. Isto não é uma regra rígida como alguns pensam e eventualmente pode ser necessário espantar um mosquito que pousou no rosto ou fazer uma pequena acomodação para evitar dores na lombar e no pescoço. Mesmo assim, evite todos os movimentos que não são estritamente necessários. A maioria realmente não é necessária. Perceba que você conduz o corpo, você determina a maioria dos movimentos que o corpo faz. Assim sendo, determine que o corpo ficará imóvel durante a meditação. A grosso modo, a meditação é também um processo de aquietação e estabilização do corpo. Os asanas ajudam muito neste processo.

MENTE
-- Mais do que o corpo, a natureza da mente é movimento. Quando fechamos os olhos, a mente implora atenção, produzindo imagens, pensamentos, emoções, desejos etc. Uma das chaves do «trabalho mental» na meditação é observar os pensamentos. Assim como tomamos na mão um objeto qualquer que possuímos e simplesmente o deixamos sobre uma mesa, o mesmo pode ser feito com o pensamento: ele surge naturalmente; se nada fizermos além de observá-lo, ele se dissipará para dar lugar a outro pensamento e assim sucessivamente. O objetivo, portanto é não se agarrar a nenhum pensamento específico, muito menos agarrar-se a esse fluir incessante de pensamentos.
-- Como não se agarrar? Se simplesmente tentarmos não prender os pensamentos, é exatamente o contrário que acontecerá, pois a mente prega suas peças. Usamos então um artifício valioso: dharana, que no sânscrito significa «concentração». Nós simplesmente escolhemos um objeto e colocamos toda nossa atenção nele. Este objeto pode ser externo, como quando observamos a chama de uma vela e permanecemos nessa observação até que a mente seja «enganada» pela observação. A partir de um certo ponto a mente «desiste» de competir com o objeto que estamos observando. Mas o objeto pode ser interno também, como quando direcionamos o olhar para o ajna chakra (o ponto situado na testa, entre as sobrancelhas) ou quando apenas contamos as respirações. Você escolhe.
-- Uma vez que a atenção tenha se fixado em algum ponto (de preferência interno, já que ao meditar no Yoga ficamos com os olhos fechados), a meditação consiste em manter essa focalização pelo maior tempo possível.

DURAÇÃO E FREQÜÊNCIA
-- A meditação começa a funcionar para aquilo que foi proposta a partir de 30 minutos. Mas é possível começar de forma branda e depois aumentar o tempo gradativamente. Comece com 10 minutos. Se lhe parecer muito tempo, 5 minutos também são um começo. Mas comece. Para evitar distrações com o tempo, use um timer (hoje a maioria dos celulares dispõe desse recurso).
-- O ideal (ah, os ideais) é que a prática seja diária. Como dizia Aristóteles, nós nos tornamos aquilo que fazemos repetidamente. Mas é claro que uma prática tomada como mera obrigação trará poucos benefício.

HORA E LOCAL
-- Obviamente, é fundamental um lugar silencioso. Uma vez li num livro sobre um presidiário que aprendeu a meditar na prisão e que, para manter a prática diária num ambiente tão caótico, simplesmente se fechava num armário na lavanderia da prisão. Acredito que a maioria das pessoas disponha de melhores condições e saberá encontrar um bom lugar para meditar, silencioso e livre de interrupções.
-- O escuro é bom, mas pode não ser muito prático. A luz de uma vela ou a luz suave de um abajur podem ser ideais.
-- O conforto térmico também é importante. Nada em excesso.
-- As horas ideais são logo antes de deitar ou logo após acordar, inclusive porque reduz as chances de ser interrompido por alguém. Antes de dormir a meditação prepara convida ao relaxamento físico e mental. Logo após acordar a meditação trará mais clareza mental, fundamental para lidar com as tarefas do dia-a-dia.

O QUE FAZER DURANTE A MEDITAÇÃO?
-- Não se faz nada durante a meditação. Desejar fazer algo é o primeiro passo para atrapalhar a meditação. Enquanto estiver sentado em silêncio não deseje meditar, entrar em «estado de meditação» ou qualquer outra coisa do gênero. Desejos também são pensamentos e os pensamentos são obstáculos para a meditação -- portanto, não se prenda nem ao desejo de se livrar dos pensamentos. Basta manter-se quieto, com respiração plena e consciente, pelo tempo que você reservou para si.
-- Se você faz parte de uma tradição religiosa específica, no início poderá repetir mentalmente orações ou mantras de sua tradição. Embora no Yoga haja técnicas específicas que dispensam auxílios desse tipo, a meditação é você com você mesmo e, portanto, não há regras.
-- Se for necessário usar verbos, use estes: observar, contemplar, testemunhar, silenciar.

*

Quem tiver dúvidas ou mais dicas, basta deixar um comentário. E um texto com teor humorístico sobre o mesmo tema pode ser lido aqui.

Boa prática a todos.
Namaste.

3 comentários:

Ferreira Amado disse...

olá!
Eu estou com muita depressão. Vc recomendaria Yoga para aliviar os sintomas da depressão?
Yoga é misticismo ?

Christian Rocha disse...

Sim, recomendo.

O hathayoga pode ajudar bastante no tratamento da depressão e no alívio dos sintomas, em especial as técnicas respiratórias e a meditação.

*

O yoga não é misticismo. O yoga -- em particular o hathayoga -- é uma disciplina de desenvolvimento pessoal e autoconhecimento.

A transcendência, que é característica de todos os caminhos espirituais -- como o yoga --, deve ser compreendida como um processo inclusivo, não exclusivo.

YOGA EM CURITIBA disse...

Muito boas as dicas. De forma simples e objetiva essas informações dão uma boa orientação para o iniciante e também oferece um bom referencial para aqueles que já se dedicam a meditação . Abraço e muito obrigado.