05 junho 2011

Uma pedra no caminho


Ao percorrer um caminho qualquer, existem duas formas de se desviar dele: perder o foco do ponto de chegada ou simplesmente mudar a direção do deslocamento. Dito de outro modo, tornar-se cego para o fim ou tornar-se cego para o meio. Pode parecer tautológico (na verdade é), mas eis que os obstáculos à realização dos objetivos do yoga coincidem com essa tautologia: o indivíduo sequer imagina que há um ponto de chegada ou, quando imagina, acredita realmente que qualquer coisa poderá levá-lo lá -- o que são dois motivos para continuar fazendo exatamente o que estava sendo feito antes de conhecer o yoga.

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O ditado diz: «todos os caminhos levam a Roma». Examinar os limites desta frase à luz da diversidade atual do yoga me mostrou que não, nem todos os caminhos levam a Roma. Outros levam a Londres ou a Montreal ou a São Paulo. Se você quer ir a Roma, por que tomaria um táxi para, digamos, descer em Moema? Ou, dito de forma mais específica: se você busca a meditação, por que limita sua prática à ginástica?

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A diferença entre você e um ser iluminado é que o ser iluminado já não tem mais dúvidas do que ele é. Você ainda perde tempo se perguntando se você não é alguma outra coisa e acredita facilmente que é aquilo que você vê no espelho, um corpo diariamente lapidado pelos asanas, uma carreira bem sucedida ou uma condição familiar. O mais curioso é que querer ser todas estas coisas não altera em nada sua condição de ser iluminado.

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2 comentários:

guilherme disse...

Ola Christian, tudo bem? Eu gostaria de iniciar Yoga na modalidade Hata Yoga. Porém, meus conhecimentos sobre essa são diminutos. Há muito tempo pratico zen, estudo budismo e coisa e tal. Como o budismo difere do hinduismo, tenho receio de ambas as práticas serem incompativeis.

Gostaria de saber se voce acha crível eu ser praticante do Zen ao mesmo tempo em que pratico Hata Yoga.

Abração.

Christian disse...

Respondido via email, Guilherme.
Abraço!