30 setembro 2011

A ética no yoga


Ética é «fazer o que é certo». Se há algo certo no yoga, isto se resume a seguir na direção de moksha -- «saber quem você é». Isto basta para colocar todos as técnicas do yoga sob uma perspectiva diferente da que tem sido utilizada.

Ahimsa não é tornar-se vegetariano ou ser bondoso. Satya não é não mentir. Asteya não é não roubar. Brahmacharya não é castidade. Aparigraha não é generosidade e desapego. Saucha não é manter o corpo e os pensamentos puros. Santosha não é contentamento. Tapas não significa disciplina permanente nas ações. Svadhyaya não se resume ao estudo. Ishvarapranidhana não é devoção.

Definidas desta forma, estes princípios e ações carecem de predicados que remetam a moksha. É bastante óbvio, por exemplo, como o vegetarianismo pode ser uma boa forma de desviar-se de «saber quem você é».

A ética no yoga começa quando usamos estes princípios para nos colocar na direção de moksha. A falta de ética começa quando os usos desses princípios nos afastam do conhecimento de nós mesmos. Na verdade é muito mais simples do que não comer carne ou devotar-se a uma divindade hindu.

Quando passamos ao campo específico do Hatha Yoga e incluímos técnicas corporais, criamos a tendência de querer encontrar uma ética na prática dessas técnicas. Se há alguma ética na ação corporal individual, mais uma vez ela estará relacionada com a capacidade de colocar o estudante na direção de moksha ou de afastá-lo dela. Por definição, aquilo que não o coloca na direção de moksha inevitavelmente o afasta dela.

Isto basta também para avaliar o origami corporal que constitui o topos do yoga contemporâneo. Se conduz a moksha, há sentido em empenhar-se na prática de centenas ou mesmo milhares de asanas. Se não conduz a moksha, parece mais sensato seguir a orientação dos antigos hathayogins, que ensinavam que só há dois asanas fundamentais (siddhasana e padmasana).

Neste sentido é digno de nota o fato do yoga contemporâneo ter produzido tantos ginastas e não ter produzido uma única alma iluminada ou uma única pessoa capaz de falar sobre moksha com autoridade e conhecimento de causa, como um Ramana Maharshi ou um Nisargadatta Maharaj. É também digno de nota que, a despeito da popularidade do yoga e do interesse das pessoas por ética, tantas tenham tanto interesse no origami corporal do yoga contemporâneo e tão pouco em seguir na direção de moksha e em abandonar aquilo que não as conduz nessa direção.

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